Projeto "ABC da Informática" propõe a inclusão digital para a terceira idade - 11/09/2007
Primeira aula entusiasmou a turma formada por alunos da comunidade e professores do Unicerp
Como sabemos, a era digital é um fenômeno irreversível e a inclusão, uma tendência que está sendo acompanhada em diversos setores, principalmente no da Educação.
Com base nesse contexto, a aluna do curso de Sistemas de Informação do Unicerp, Audrei Borba, criou o projeto “ABC da Informática”, que faz parte do projeto de Extensão “Viver, Vivendo e Aprendendo” e teve a primeira aula, no último dia seis de setembro.
Ela comenta que a idéia de trabalhar com idosos vem desde a época em que era aluna do curso de Fisioterapia, mas devido a alguns contra-tempos não teve oportunidade. “Estou muito encantada com o interesse e empolgação dos alunos. È muito bom poder acrescentar algo de bom na vida das pessoas. A maioria dos alunos tem ensino superior e não havia tido contato na época que atuavam no mercado de trabalho. E agora, além da Internet que é a maior biblioteca do mundo, eles terão mais chances de interagir com a sociedade econômica ativa”, explica.
Mil utilidades
Com a frase “Estou achando o máximo, simplesmente maravilhoso”, a aluna Analice Borges Resende, 56 anos definiu sua primeira aula de informática. “Sou terrível, muito tímida. Para se ter uma idéia nem o campus do Unicerp eu conhecia. Na minha idade não tem muitas coisas para fazer. Só de sair de casa já é muito bom. Me sinto voltando à juventude”, diz.
Ela acrescentou que seu maior sonho é aprender a usar o Messenger para conversar com os netos que foram criados em sua casa e hoje não têm tempo de visitar a vovó devido à dedicação quase que exclusiva ao computador.“Hoje até para chamar a atenção tem que ser pela Internet”, brinca. O seu neto que esteve acompanhando-a, Carlos Quirino dos Santos Júnior, 12 anos disse estar empolgado com o aprendizado da vovó mesmo que seja para levar um puxão de orelha.
A dois
O casal Amir Eustáquio Carneiro, 61, e Lourdes Pereira Carneiro, 64, disse que eles sentiam-se quase analfabetos e que hoje eles estão aprendendo a ler. “Morei em Brasília muitos anos e quero poder conversar com as amigas que lá deixei pela Internet”, comenta Lourdes. Já o senhor Amir pretende melhorar a atuação em seu ramo de trabalho. “Atualmente sou corretor de café e quero ainda fazer muitos negócios, boladas, grandes vendas pela Internet. Eu já estava me sentindo um peixe fora d’água. Agora, minha filha este negócio de computação é uma novidade e um desafio para mim como aluno, mas se você me falasse que queira saber de bolero, baião, forró e outros ritmos de dança eu seria professor, porque nós adoramos dançar”, comentam descontraídos.
Reciprocidade
A dona-de-casa, dona Altina Benedita de Castro, 68 anos foi acompanhada da filha Vânia, 39 anos e disse que tinha medo até de colocar a mão no computador. “Só agora cheguei perto. Quero aprender a fazer muitas coisas e trazer mais pessoas para participar. Conhecimento nunca ocupa lugar”, ensina.
A professora aposentada, Geralda Cândida, 63 anos compartilha da mesma opinião que está sendo uma oportunidade ímpar. *Descobri que a máquina não chuta, não morde e não chifra (risos). Atuei mais de 40 anos na sala de aula e se tivéssemos o computador teria facilitado demais nossa vida com as provas que tínhamos que fazer e depois passar no mimiógrafo”, diz.
Além do lazer, Geralda pretende prestar serviços às pessoas, escolas e empresas com este novo aprendizado. “Tenho disposição e vontade de estar na ativa. As pessoas devem ser persistentes e nunca desistir de lutar por dias melhores. Acho que temos que tentar sempre”, frisa.
O monitor, Maycon Silva disse que está achando muito interessante ajudar esse grupo de alunos a conhecer o mundo digital, promover o lazer e quem sabe uma nova oportunidade de trabalho para eles.
Segundo o coordenador do curso de Sistemas de Informação, Laurence Amaral, a receptividade do grupo na primeira aula foi bem acima das expectativas. “O grau de importância que eles deram para nós e o conhecimento que temos a repassar nos deixou muito gratificados. Através deste projeto, todos sairão enriquecidos com a vivência. Tanto eles quanto a gente”, finaliza.
Das 30 vagas, 15 foram preenchidas. Os interessados devem entrar em contato pelo 3839-3737 e falar com Laurence Amaral ou Neuza Guimarães.
Texto / Fotos: Karina Rúbia
|