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Projeto Comunitário do curso de Fisioterapia do Unicerp leva incentivo aos recuperandos da Fazenda Renascer
A tão aguardada quinta-feira chega e a alegria se espalha na Fazenda Renascer “Recanto de Caná” ao ouvir o barulho da kombi com as alunas e a coordenadora do curso de Fisioterapia do Unicerp, Gisélia Castro.
Após os cumprimentos, forma-se um círculo e, de mãos dadas, católicos, protestantes e espíritas fazem a oração de abertura das atividades que variam entre dinâmicas e exercícios de postura, alongamento e relaxamento.
Atualmente com 17 recuperandos de dependência química de diversos municípios como Belo Horizonte, Patos de Minas, São Gotardo, Goiânia, São Paulo, Guimarânia, Ibiá e Sete Lagoas, a Fazenda Renascer é o porto seguro para quem está na luta por dias melhores.
Um grande exemplo dessa busca e de perseverança é o do próprio coordenador do abrigo, Ivan Sampaio Padrão, que se hospedou para o seu tratamento e hoje ajuda outras pessoas a mudarem de vida. “Sempre buscamos desenvolver o senso de responsabilidade e algumas tarefas são coletivas como cuidar da horta, capinar, podar as plantas entre outras e tem as individuais onde cada um cuida de suas roupas pessoais e de cama semanalmente. Aqui cada um é responsável por sua recuperação”, relata.
Sem preço
Ivan comenta que o Projeto Comunitário do curso de Fisioterapia é uma inovação na Fazenda que ainda não havia recebido algo parecido. “Como disse aqui cada um é responsável pela sua busca e pelo seu próprio caminho. Um projeto como este de incentivo e repasse de valores nos ajuda muito na auto-estima e na procura por qualidade de vida”, ressalta.
Para a Profª Gisélia Castro, o projeto comunitário rural é uma nova experiência para os alunos do curso de Fisioterapia. “A vivência em vários projetos mostra os diversos campos de atuação do fisioterapeuta, contribuindo em sua formação. O projeto Dias Melhores está sendo de grande crescimento profissional e, principalmente pessoal. Reabilitamos pessoas que tem como objetivo principal mudança de vida, esperança de dias melhores e é isto que faz a diferença na recuperação de qualquer pessoa”, ressalta.
Em linhas
Com a falta de meios de comunicação como o telefone e internet, a correspondência ganha valor e nas horas vagas e de introspecção, os internos aproveitam para escrever para familiares, amigos e companheiros. Alguns chegam a enviar cinco cartas por semana como é o caso de Vinícius Castro, 34 anos, natural de Belo Horizonte e que já passou na primeira fase dos seis meses de tratamento. “O mais interessante é que eu não sabia nem como começava a escrever uma carta, mas já estou craque. Vir para cá foi a melhor decisão que tomei na minha vida. Eu era triste e deprimido e pesava 100 quilos. Hoje sou um Vinícius feliz, alegre e com Deus no coração e emagreci 25 quilos. Estou muito bem, ainda mais por ter sido liberado para ver minha família e lá fiquei 20 dias e voltei para encerrar meu processo sem recaída. Quando cheguei em casa parecia que eu era um vencedor do Big Brother Brasil”, brinca.
Quanto ao tratamento das fisioterapeutas ele diz que é muito bom devido a atenção e energia positiva que elas passam pra eles. “Eu gosto demais quando elas vêm e as recebo em todas as visitas. Aqui eles brincam que eu sou o Relações Públicas da casa”, fala orgulhoso.
De tudo um pouco
O carismático, Tiago Souza, 23 anos, natural de Sete Lagoas é o atual cozinheiro da casa e diz que hoje ele é um Thiago totalmente diferente daquele que era há dois meses atrás. “Eu me sentia nervoso sempre e hoje tenho tranqüilidade e uma enorme esperança de cura. Há 13 dias estou na cozinha e já aprendi a fazer muitas coisas. Para ele, a presença do curso de Fisioterapia é muito especial. “O trabalho das alunas nos ajuda demais na nossa caminhada. A gente fica contando os dias para chegar a quinta-feira porque a gente sabe que está chegando um dia maravilhoso”, conclui.
Eterno
As seis alunas envolvidas no projeto estão fascinadas com o retorno do projeto em apenas dois meses de implantação. Para as alunas Noádia Queiroz e Daiana Guimarães é quase indescritível. “Está sendo uma experiência muito significativa para a gente e para eles. È muito bom desenvolver este trabalho e ajuda-los na recuperação. Eles têm uma admiração e gratidão pelo nosso trabalho que é muito gratificante. São momentos que nós e eles iremos levar para o resto de nossas vidas”, finalizam.
Texto / Fotos: Karina Rúbia
Fotos: Gisélia Castro
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